Seria muito bom que você se preocupasse com o comportamento dos Veterinários fora do Hospital


O Veterinário que trabalha com você é livre e dono do seu próprio nariz. Ele pode fazer o que bem entender, desde que isso não incorra a algum risco de imagem/reputação com os clientes que atende em seu Hospital Veterinário ou Clínica Veterinária. Disso você já sabia. Vale a pena estabelecer regras de conduta fora da empresa.


Mas a pesquisa apresentada abaixo, vai muito além. Ela apresenta uma forte correlação entre Más condutas no trânsito, envolvimento com ações criminais e/ou penalidades jurídicas relacionando-as com condutas questionáveis na empresa (ética, tomadas de decisões com riscos não calculados, falta de transparência, uso de mentiras para ludibriar clientes, etc).


Vale a pena você saber com quem está lidando dentro da sua própria empresa.



Por quê os conselhos devem se preocupar com o comportamento dos executivos fora do trabalho

HBR | 6 de janeiro de 2020


Dirigir embriagado, receber multas de trânsito e outros fatores podem aumentar os riscos no trabalho.


NA TEORIA


Em meados da década de 2000, os Estados Unidos estavam enfrentando uma onda de escândalos corporativos: pense nas empresas WorldCom, Enron, Tyco e AIG. Para Aiyesha Dey, então professora de contabilidade na University of Chicago, aqueles eventos provocaram uma indagação: o estilo de vida dos líderes das empresas afeta os resultados de suas organizações e, se afeta, de que maneira isso ocorre? “Havia todos aqueles artigos a respeito de como aquelas empresas estavam dando festas de milhões de dólares”, recorda-se Dey. Então, ela e seus colegas mergulharam em uma série de estudos que ligavam o comportamento dos líderes fora da empresa com suas atitudes no trabalho.


Ao decidir em quais comportamentos deveriam se concentrar, os pesquisadores valeram-se de descobertas nos campos da psicologia e da criminologia. E escolheram dois: uma propensão para infringir a lei ligada, de um modo geral, a uma falta de autocontrole e a um desprezo pelas regras; e o materialismo — associado a uma insensibilidade ao modo como as ações de alguém afetam não só os demais como o meio-ambiente.


Em quatro estudos, Dey — agora professora da Harvard Business School — e seus coautores examinaram a correlação entre um ou ambos comportamentos e cinco assuntos ligados ao trabalho.


Informação privilegiada. Em seu mais recente artigo, os pesquisadores observaram se os atestados de antecedentes dos executivos — tudo, desde multas de trânsito até dirigir embriagado e agressão — tinham qualquer relação com a tendência desses de realizar negócios tendo como base informações privilegiadas confidenciais. Valendo-se do banco de dados de crimes federais e estaduais dos Estados Unidos, da checagem de antecedentes criminais e de investigadores privados, os estudiosos identificaram empresas que haviam empregado simultaneamente, durante o período de 1986 a 2017, ao menos um executivo que tivesse tido algum problema com a justiça e ao menos um com um histórico impecável. Isso rendeu uma amostra de quase 1.500 executivos, incluindo 503 CEOs.


Examinando as negociações das ações da empresa realizadas pelos executivos, os pesquisadores descobriram que tais negociações eram mais rentáveis para executivos com uma ficha criminal do que para os demais, o que indicava que os primeiros haviam se valido de informações privilegiadas. O efeito mostrou-se maior entre executivos que haviam cometido várias violações e entre os que tinham cometido violações graves (qualquer coisa mais séria do que multa de trânsito).